Òrunmìlà – O Salvador

Òrunmìlà – O Salvador

Somente o Céu Conhece a Salvação.

Òrunmìlà Okìtìbíri ti npa ojó ikú dà” 

Orunmilá – Aquele que pode alterar a data da morte. 

“Olùgbàlà ni mbe o!” - O Salvador existe!

Divindade existente desde os primórdios da humanidade. Encarregada de indicar os caminhos e as soluções. Recebeu de Olódùmarè o poder de conhecer o passado, o presente e o futuro. É chamado carinhosamente de “Eléri Ìpín” – “A Testemunha do Destino”. 

Apesar de haver várias histórias e parábolas relatando a sua passagem pelo planeta Terra,Òrunmìlà não possuiu vida terrena.

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ÒRUNMÌLÀ

3ª Pessoa da Trindade Divina da Religião dos Orixás

Segundo a tradição oral do igbominas em solo africano, a iniciação no culto a Orunmilá (Òrunmìlà) é a admissão de uma determinada pessoa em uma sociedade um tanto quanto restrita, isto porque, apesar de todos os iniciados na mesma serem submetidos a rituais semelhantes (Isefá, Itefá, Igbó Odù, etc.), não significa que os neófitos em questão poderão ser ordenados sacerdotes de Ifá (adifá alufá), muito menos se auto-intitularem babalaô (bàbálawo).

Segundo essa mesma tradição, existem dentro do Corpo Literário de Ifá diversas exigências e interdições que devem ser rigorosamente respeitadas e seguidas. Vejamos:

Adifá Alufá: Sacerdote de Ifá.

Para se tornar um autêntico sacerdote de Ifá, é necessário que o discípulo seja encaminhado ainda em criança (oito a dez anos no máximo) ao seu mentor, devendo conviver com o mesmo durante um período aproximado de treze anos. Ao alcançar a maioridade, deverá ficar noivo, entretanto, continuará seus estudos até ser considerado apto para exercer cargo de suma importância.

Antes da iniciação, consagração e aposição do cargo, o neófito deverá casar-se. Partindo desta premissa, deverá possuir filhos (gerar descendência), pois na condição de sacerdote de Orunmilá deverá viver em família, isto é, conviver com sua legítima esposa e filhos, possuir uma vida ilibada, não possuindo filhos fora do casamento.

Se tal fato não se concretizar, nenhuma pessoa em solo africano nele acreditará, isto porque nenhum ioruba negro sério jamais se consultará ou se aconselhará com uma pessoa que não possuísse a condição de propagar a essência familiar e dar geração de filhos.

Para os iorubas tradicionais, ter esposas e filhos é tão importante quanto ter dinheiro, por este motivo um legítimo sacerdote de Ifá deve gozar de respeito. Para que isto aconteça, deve possuir uma ou mais esposas legítimas e, consequentemente, filhos.

Babalaô (Bàbálawo[1]). Segundo os nagôs iorubas igbominas, a terminologia em questão é exclusiva e concernente ao filho carnal de Ieiemaaterô[2] (Yèyémãtèrò), ancestral conhecido entre os mesmos pelo nome de Orungan (Òrungá) – “O sol do meio dia”. Tal afirmação é ratificada em “‘Ogbè’dí” (21ª Junção na Ordem Fixa dos Àmúlù do Oráculo Sagrado de Ifá[3]), conforme narrativa abaixo:

NARRATIVA DA APOSIÇÃO DO CARGO DO PRIMEIRO SACERDOTE DE ÒRUNMÌLÀ 

Segundo os nagôs igbominas, numa tarde primaveril, retornando de uma longa viagem de peregrinação, Orunmilá chegou a um lugarejo frente ao mar. Sentindo-se cansado, faminto e sujo, o santo homem resolveu pernoitar naquela pequena aldeia. Portanto, dirigiu-se à única estalagem que havia na vilela. Tão logo ao chegar, foi recebido pela proprietária que se chamava Ieiemaaterô.

Assim que se instalou, Orunmilá tratou de se banhar, trocar de roupa, de se alimentar e descansar, pois tinha que seguir viagem no dia seguinte, após o sol alcançar o seu ápice. Sentindo-se por demais cansado, Orunmilá pediu à Ieiemaaterô para não deixar ninguém em hipótese alguma acordá-lo antes do meio-dia.

Em torno das 5h, Ieiemaaterô ouviu alguém bater na porta de sua estalagem. Ao abrir a porta e deparar-se com seu filho, perguntou-lhe: “O que fazes acordado a esta hora da madrugada?” O jovem adolescente respondeu-lhe: “Vim acordar o ancião que está hospedado em tua estalagem”. “De maneira alguma. Tenho ordens expressas de não importuná-lo antes do ápice do sol”, respondeu-lhe Ieiemaaterô.  O jovem retrucou dizendo-lhe: “Por favor, minha mãe, deixa-me acordá-lo. Foi-me revelado por um homem de turbante, de bombachas estranhas aos tornozelos como nunca havia visto antes, com dois facões e por uma bela mulher seminua de rosto coberto com franjas de ouro e pulseiras de bronze que, se eu quiser ser feliz, devo acordar esse ancião antes do galo cantar”.  Ieiemaaterô respondeu-lhe: “Se é isto que tu queres, meu filho, desperta-o; tua vida te pertence, não te digo mais nada”.

O jovem adentrou vagarosamente o aposento onde Orunmilá repousava e lentamente ajoelhou-se ao seu lado, começando a repetir, em forma de lamento, a prece que o homem e a mulher haviam lhe ensinado durante o seu sono. 

“Ifá desperta, oh! Orunmilá.

Orunmilá, eu estou te chamando!

Orunmilá abre teus olhos sobre mim; olha-me carinhosamente!

Orunmilá permite que a sorte reservada para mim se realize!

Orunmilá, não durma!

Tão logo o jovem terminou a oração, Orunmilá despertou. Neste exato momento, o adolescente repetiu a saudação que o guerreiro viril e a rainha de beleza inigualável lhe haviam ensinado.

Orunmilá, tu és o salvador. Eu te saúdo!

Preste atenção ao nosso pai Orunmilá

Porque quem não aceitar os desígnios de Olodumarê

Ele diz: Será o que Olodumarê preferir

O invencível não existe quando cremos em Olodumarê!”

Orunmilá, após despertar tranquilamente, perguntou: “Quem é este jovem? Jamais vi em toda minha passagem pela terra um adolescente com tanta humildade”. Ieiemaaterô respondeu-lhe: “Este é Orungan, o meu primogênito, aquele a quem o oráculo disse que algo estava reservado”. Orunmilá, erguendo-se do leito, colocou suas mãos sobre a cabeça do jovem e se pronunciou: “Tu, que nasceste na junção de Ogbè com Òdí, a partir de hoje, serás chamado de Ogbè’dí Òrungá, o sol do meio-dia. Serás investido na condição do mais alto posto sacerdotal dentro da minha confraria”.

A partir deste dia, Orungan[4], por sua humildade e sabedoria, tornou-se o primeiro sacerdote a despertar Orunmilá todas as manhãs antes do raiar do sol”.

Em tempo: Cores votivas do colar (ìle) de Orungan (Òrungá): amarela e verde.

Bibliografia: PENNA, Antonio dos Santos, Èjì Ogbè Àwon Àmúlù – Èjìonile e Suas Combinações. Produção Independente: RJ,  2003 – ISBN 85-902226-2-4

[1]  Bàbá (a) l (á) awo – Bàbáaláawo – Bàbá = pai + Alá = aquele que possui + awo = mistério – “Pai, aquele que possui ou é dono do mistério”.

[2]  Epíteto de Ieiemoja (Yèyémoja) – “Mãezinha querida que concebe e venera seus filhos”.

[3] Também chamada de “Ìdí’gbè”, “Òdí Lobe”, “Erdibre”, “Ordibre” ou “Dibre”.

[4]  “O sol do meio-dia” – “O Senhor do arco-íris que corta o céu sobre o mar”.  

           

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