Ìkú – O Senhor dos Mortos.

Ìkú – O Senhor dos Mortos

Agente criado por “Olódùmarè” – “O Criador Excelso” para remover as pessoas da terra/pó para a vida e vice versa. A terminologia “Morte” (ìkú)” apesar de possuir conotação feminina, é propriedade de um òrìsà masculino. A esse “imólè (ser de luz) lhe foi dado à regência do “Ipò-Okú” (Residência dos mortos) e do sentimento denominado por “Ìpohùnrére-Ekún Ìkú” (lamentação da morte). 

Segundo a tradição nagô dos iorubas ìgbómìnàs a lógica do perecimento é para as pessoas mais velhas e que dadas certas condições, devem viver até uma idade avançada. Por isso, quando uma pessoa jovem morre, o fato é considerado tragédia, por outro lado, a morte de uma pessoa idosa é ocasião para se alegrar. 

Àtúnwa – Retorno (Reencarnação)

 Segundo a tradição nagô dos iorubas ìgbómìnàs, existem vários caminhos para os antepassados voltarem a terra, e um dos mais comuns é a reencarnação da alma, na condição de um neto, bisneto, bisneta, de um filho ou filha dos antigos pais. Ainda segundo a tradição nagô dos iorubas, o processo de ida e vinda se dá entre o meio familiar do qual era oriundo. 

A esse fato é dado o nome de “Àtúnwa” (retorno/reencarnação), aquele ou aquela que retorna, sendo que, segundo a concepção ioruba, renascer em uma família não consangüínea é tido como castigo divino ou rejeição da alma.

Os nagôs ioruba ìgbómìnàs em seus ensinamentos afirmam que a reencarnação da alma é uma das condições do aperfeiçoamento da individualidade humana. Ensina-nos também, que as faculdades, os conhecimentos e as virtudes adquiridas pela alma não são exterminados face o cérebro ter perecido.  Também nos elucida que não devemos chorar a morte dos entres queridos, uma vez que eles apenas estão em estado de transição, aguardando a reencarnação para dar continuidade à remissão dos seus erros. Tal ensinamento é ratificado em um ditado ioruba que diz: 

“Ìbí, paláro, àtúnhù… ìdìpò àyé wà

“Nascer, morrer, renascer… é a lógica da vida”.

 O mundo (àiyé), segundo os nagôs iorubas, é o melhor lugar onde se vive ao contrário ao ponto de vista de algumas tradições religiosas, que consideram o mundo (planeta terra) um lugar de sofrimento e dor. Existe um forte desejo por parte do ser vivo em ver seus pais retornarem logo após a morte dos mesmos. Daí a expressão “Bàbá yálà Ìyá á yà á tètè yà o” (Que seu pai ou sua mãe venha logo). 

Este desejo é observado quando do nascimento (), de uma criança; aos três meses de idade, um sacerdote de Òrunmìlà (àdìfá, àlùfá, àràbà ou bàbáláwo) é consultado para saber qual o antepassado que foi reencarnado, se a linhagem paterna ou materna. 

Esse ritual é conhecido como “Mojú orí omode (conhecer o orí [cabeça] da criança) ou “Gbígbó orí omo(Ouvindo [aquele que deve ser ouvido] o orí [cabeça] da criança). Durante este rito, verifica-se o “Odù bí” (signo de nascimento- também chamado de “ese t’àiyé” [dia em que pisou na terra]), seus “éèwò, (interdições), e o tipo de espírito encarnado (“àbìkú”, etc.). Após todo esse processo de identificação, um determinado nome passará a fazer parte de seu nome civil para lembrar constantemente à criança a sua origem. 

            A reencarnação de um ancestral entre os ioruba é conhecida pelo nome de “Omo túnyi” (Voltar a ser criança ou tornar a encarnar). Ao se constatar o fato, o nome da criança poderá ser alusivo ao fato. Alguns nomes ioruba evidenciam esse fato: Vejamos:

Bàbátúndé – o pai voltou, ou seja, um ancestral de linhagem paterna,

Ìyátúndé – a mãe voltou,

Bàbájídé – papai acordou e chegou

Ìyábo – a mãe retornou

Omotúndé – a criança voltou de novo.

É necessário atentar que, segundo a visão da concepção ioruba sobre a reencarnação, mesmo uma criança sendo chamada de “Bàbátúndé”, o espírito do ancestral (ìponrín – antepassado) ainda continua a viver no mundo espiritual, onde é evocado (Ilé bo ìkú) de tempos em tempos. Face ao exposto, entendemos que, na verdade, há apenas uma reencarnação parcial. 

Esse fato faz com que os vivos fiquem satisfeitos ao verem parte de seus ancestrais nos filhos recém-nascidos, mas, ao mesmo tempo, são felizes por saberem que eles se acham no mundo espiritual, onde têm maior potencialidade no auxílio de seus familiares na terra.

 ÌSINKÚ – RITUAL FÚNEBRE (enterro – funeral) 

Para os nagôs ioruba o espírito não desaparece com a morte. Em sua cosmologia tradicional o ioruba não inclui uma crença ou percepção de “òpin àiyé” (fim do mundo), eles ao invés disso, acreditam sim, num “àyíká èdá” (ciclo da natureza), que nada pode destruir. Ou seja, que haja uma eterna continuidade da existência. O fato de morrer não é visto como uma tragédia em si, mas sim como um ritual de passagem ou de iniciação.

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s