Ancestralidade – Segundo a visão iorubá

Segundo a tradição nagô dos iorubas, somos o resultado da soma dos saberes dos nossos antepassados, destes, herdamos o inconsciente coletivo e, com eles as informações legadas nos mesmos, e é por esta determinante maior, que os devemos evocá-los e reverenciá-los. Este é o procedimento. Assim sendo, temos ancestralidade. Quando reconhecemos este fato, deduzimos com clareza  que, devemos não somente por obrigação e sim, por devoção, reverenciar nossos ancestrais. 

“Ìkú…. ko wà ìkú, túnyi wà, atúnhùn wà, túnpè wà”.

“Morrer… não é morrer, é retornar, é renascer, é reviver”. 

A reencarnação da alma, segundos os nagôs é um fato, não uma simples crença. O Tratado de Ifá, significativo e irredutível em seus princípios, afirma que a reencarnação é necessária, para que haja o resgate (gbígbàsílè), o arrependimento (ìrobinúje), o pedido de perdão (dákun), enfim, a salvação (ìgbàlà).

O retorno da alma é a oportunidade da retratação diante das falhas, da omissão do auxílio ao seu semelhante, enfim, o remorso.  É comum ouvirmos o ser humano, nos momentos de privações e sofrimentos, dizerem: “O que foi que eu fiz para estar passando por tudo isto?” Dizem também: “Tenho certeza de que sou uma boa pessoa, não faço mal a ninguém. Deus é testemunha!” Nestes momentos, ensina-nos Òrúnmìlà a dobrarmos nossos joelhos diante do Criador, pedir compaixão, resistência, resignação e acima de tudo perdão, uma vez que voltamos à vida terrena, para nos redimir dos atos praticados em nossas vidas passadas.

O Tratado de Ifá nos ensina que ao recebermos do Criador Excelso a permissão para reencarnarmos, isto é, ocupamos uma nova matéria, sem lembranças e sem registro, devemos trilhar numa marcha progressiva; jamais reacionária.

Apesar de estar ligado somente à matéria e não à alma, o Tratado de Ifá elucida que é durante o ciclo da gestação que a alma, destinada àquela matéria em formação, toma ciência de qual família fará parte quando reencarnar. Nesse estágio, o processo que nos é invisível desenrola-se paulatinamente, mas de maneira evolutiva.

Segundo relatos, neste período uma retrospectiva é feita diante da alma, assim sendo, ela toma ciência da representatividade da sua nova família e o que para ela representou no passado. Os ensinamentos de Ifá elucidam que muitas vezes há repulsa por parte da alma quanto à sua reencarnação, todavia os desígnios de Olódúmarè (Deus) são imutáveis. A alma tem que voltar para se redimir das suas faltas.

O Tratado de Ifá, ao afirmar que tudo que nasce é novo, deixa claro que à alma (essência imaterial do ser humano, princípio vital), ao reencarnar conforme determinação do Criador, tudo será apagado, pois ocupará uma nova matéria apesar dela ter ciência da sua missão na Terra. Ao habitar uma nova composição, ela se transforma num ser possuidor de cérebro imaculado e sem registro.

E como não há registros anteriores, não há o que lembrar. Podemos assim ratificar com convicção o provérbio ioruba que diz: “Tudo que nasce é novo! Nele não há registros do passado”.

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s