Egúngún – Os Guardiões da Herança Ancestral

São os guardiões da herança ancestral de uma determinada família ou confraria. Através de suas manifestações, ajuda-nos, orienta-nos, soluciona nossos conflitos e problemas. Dessa forma, nos encaminham para a felicidade.

Cultuado enquanto espíritos coletivos de uma herança ancestral, são conhecidos como “Ará-Òrun” (habitantes do céu), e possuem um papel fundamental, pois seus descendentes creem que os mesmos possui participação constante em tudo que acontece no “Àiyé” (planeta terra).

Sendo assim, direcionam, orientam, protegem, pois de acordo com a crença ioruba, o ancestral que deixa sua família no “àiyé” (planeta terra) não dorme. Assim sendo, todas as aflições serão depositadas nas mãos dos nossos ancestrais, isto porque, da mesma forma que uma árvore sem raiz não sobrevive, o mesmo acontece com o ser humano que não reconhece a importância da sua ancestralidade. A confirmação da explanação acima é feita, por ocasião na qual os seres humanos os evocam pronunciando: “Bàbá mi ma sùn o!” (Meu pai, não durma).

         Enquanto ancestrais, podem ser evocados individualmente (Ajúbo Egúngún) ou coletivamente (Ojúbo Egúngún) de acordo com o momento e eventuais necessidades. Suas funções coletivas superam a linhagem de um determinado círculo familiar. Nossos ancestrais protegem a comunidade dos espíritos erradios e devolutos, das epidemias, das intrigas e de todo ou qualquer malefício, assegurando assim, o bem estar geral dos seus familiares que no “Àiyé” (mundo) ficaram na esperança de um dia revê-los.

Esclarecimentos: Lamentavelmente, ainda nos dias atuais, “vários” seguidores do Candomblé – Rito Afro-brasileiro evocam, e, em muitas das vezes, fazem altares para neles concentrarem espíritos devolutos, tais como; espíritos de “pessoas que viveram à margem da lei”, podendo dessa forma, “manipulá-los” para práticas maléficas. Pobres infelizes, “eles” esquecem, que vivemos num mundo de ação e reação.

CONCEPÇÃO

Os nagôs iorubas como os demais grupos africanos (entre eles, os ìgbómìnàs, os ketú, os òyó, etc.) creem na existência ativa dos  antepassados. A morte para eles não representa o final de tudo, e  sim, o desprendimento do espírito da vida terrestre que se finda. Segundo a mesma crença, o espírito ao se desligar da matéria se dirige em direção do “sànmá” (infinito). Local este, considerado o repouso da vida além-túmulo, domínio dos seres desprovidos de vida – respiração – O “Èmi”. Assim sendo, a morte não representa uma extinção, mas, a mudança de uma vida para outra.

Os ancestrais ou antepassados denominados “ará sánmnà” (habitantes do infinito), e “agbãgdà òrun” (anciões do céu), ou ainda pelo título de ”Èsá” (termo usado para reverenciar os ancestrais nos ritos de Ìpadé [reunião], em determinados candomblés do Brasil).

Ancestral é alguém de quem uma pessoa descende, seja através do pai ou da mãe, em qualquer período do tempo. Há de se esclarecer que “somente alcançarão a condição de ancestre com merecimento de culto, aquele que atingiu uma idade avançada, que teve uma vida de boa qualidade e de trabalho expressivo  para a sociedade, além de terem deixado bons filhos.

Para os iorubas, um casamento sem filhos é algo mal sucedido, isto porque, seu sistema de valores tem por base três coisas distintas: “owó” (dinheiro), “omo” (filhos) e “àìkú” (vida longa – Sua lembrança jamais será apagada do convívio dos seus familiares).Vivificar nossos ancestrais é algo importante, isto porque, proporcionam  a oportunidade que pode tornar possível às duas outras.

Nossos ancestrais ao seguirem para o “Sánmà” (infinito) são libertos de todas as restrições impostas quando “ará àiyé” (habitantes do planta terra), dessa forma  , adquirem potencialidades que podem ser usadas para beneficiar seus familiares que ainda no “àiyé” (terra)  permanecem. Por esta razão, é necessário mantê-los num estado de paz e contentamento.

Esta mesma tradição religiosa, afirma,  que,  o o espírito após o perecimento da matéria, passa pelo “Olùdèná Sánmà” (O Porteiro do Infinito)  em direção a Olódùmarè, para receber o julgamento de seus atos na terra. De acordo com o “Sánmà” (infinito) ao qual foi destinado, continuará a exercer suas funções familiares, agora de modo mais poderoso sobre seus descendentes que a ele continuam a se referir como “Bàbá mi” (Meu pai), ou “Ìyá mi” (Minha mãe). Esta forma salienta o amor e a afeição que caracterizam as relações de ambos.

Segundo a tradição nagô ioruba, o fim da vida na terra envolve a questão a respeito do que se transforma o homem após a vida atual. Os egúngún evocados na condição de “bàbá” (pai) são os receptores dos segredos dos conhecimentos da tradição religiosa. Os primeiros cerimoniais dentro de um templo da religião africana lhes são dirigidos. A terminologia Bàbá Egúngún é empregada aos espíritos evoluídos, porém não deificados, que não estão mais sujeitos ao processo de reencarnação, segundo a ótica religiosa africana nagô.   

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