Éèwò (Euó) – Interditos – Tudo que nos faz mal.

As transgressões foram e continuarão sendo realizadas pelos seres humanos que não respeitam sua própria cabeça (Orí).

      “O desrespeito aos interditos (éèwò) não mata, porém rasga todas as suas roupas[1]”. 

(da tradição nagô ioruba.

          Para o povo ioruba, quando uma pessoa não respeita suas interdições as consequências negativas não são consideradas castigo divino e sim, a ação de elementos prejudiciais à própria energia do ser que ao entrar em contato com o mesmo interferi de forma negativa na vida da pessoa. 

           Dentro do culto tradicional ioruba, é possível descobrir o Éuó (éèwò) de uma pessoa após o nascimento da mesma (ara-àiyé), quando da iniciação ao culto aos orixás (òrìsà) ou ao culto a Orunmilá (Òrunmìlà). 

           Essa interdição está totalmente relacionada à cabeça (Orí) da pessoa, e não ao orixá (òrìsà) que ela deve cultuar ou para qual foi consagrada. Entretanto, após uma pessoa transpor os umbrais que o separa da vida profana e o insere na vida eclesiástica, isto é; nos ritos de Ifá, dos orixá (òrìsà) e L’ese egún, a mesma passa a respeitar as não preferências alimentares dos ancestrais ou orixás para qual foi consagrada, e o antagonismo dos mesmos, no que tange a realização de ritos em confrarias opostas. 

           Tais impedimentos, o sacerdote oficiante dos mesmos somente o saberá ao final da consagração, isto por que; quando do término dos rituais o sacerdote terá ciência, através do oráculo, o signo (o) que rege o noviço (a) desde o seu nascimento ou que irá regê-lo a partir da data de sua entrada na vida eclesiástica.  É nesse signo (o) que o sacerdote deve buscar as orientações para encaminhar da melhor maneira a pessoa recentemente iniciada.

            Desta forma, fica ratificado, que interdito (éèwò) é individual. Assim sendo, aquilo que faz mal para um pode fazer um grande bem para outro.  Desta forma, generalizar interdições (éèwò) traz sérias complicações, bem como o desrespeito dos dogmas étnicos, familiares e tribais. 

            A não obediência, isto é; a transgressão do sududu[2] (sú Dudu) ou nouaidô[3] (nowaidó) rompe barreiras que, em sua maioria, instauram discórdias, ocasionam perigos eminentes e perdas irrecuperáveis, quer sejam, de imediato, ou ao transcorrer dos dias após as violações. 

           As transgressões[4] ocasionam males que em algumas das vezes não surgem de imediato. Agem tal qual dose mínimas de veneno no interior daquele que se alimenta da sua proto-matéria ou desrespeita as determinações do seu ancestral.  Assim sendo: restrições são válidas, desde que explicados os motivos pelos quais deva deixar de ingeri-los. 

           Há de ser elucidado que, apesar de Exu (Èsù), “ser o único orixá a quebrar qualquer tabu”, de “ser capaz de transgredir qualquer principio” (Olùbusí) e desrespeitar normas (Sàbukusí ìpinnu), o mesmo jamais irá desobedecer ao “sú dúdú” (coisa proibida de comer), tampouco, tentar um ser humano a executar o “nowaidó” (o que não se deve fazer). 


[1]  Interpretação: Desequilíbrio da vida, consequentemente, o destino da pessoa.

[2]  Algo proibido de comer.

[3]  O que não se deve fazer.

[4] – Coisa proibida de comer (sú dúdú) ou o que não se deve fazer (nowaidó).

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