Olódùmarè – O Criador Excelso

 

OLÓDÙMARÈ – DEUS

ARÍ –WARÉHIN – ÌGBÕSE

“Aquele que conhece o passado, o presente e o futuro”. 

Olodumarê (Olódùmarè) conhece todas as coisas, contém todos os mistérios, nada lhe é oculto. Ele é o tudo e que a tudo envolve, e dentro do qual tudo possui. Aquele que já estava presente no início e não tem término. Ele é o seu próprio criador contendo em si todos os segredos, desde os alvores da criação.

Ele é a nascente e a existência do ser eterno. Ele é o Elémi (Elémi), que significa: o Ser-Vivo; Senhor-do-Espírito; Dono-de-todas-as-vidas.

Todas as coisas do Céu e da Terra foram por Ele criadas, pois é a origem, o princípio de tudo, o único no Céu e na Terra, o supremo sobre nós. Ele é o Grande Arquiteto do Universo.

Olodumarê, o Todo-em-Tudo, a Natureza, o Algo-do-Nada, segundo a Tradição Nagô dos Iorubás, criou o Universo em quatro dias. A cada dia, ele criou quatro signos (o), perfazendo o total de dezesseis signos principais, que, por sua vez, desdobraram-se entre si, totalizando, por fim, duzentos e cinquenta e seis signos.

Cada signo (o) aponta uma direção, um ponto de partida e o seu término, alterando e influenciando, dia após dia, a conduta de tudo que possui vida. Os dezesseis signos principais correspondem aos quatro pontos cardeais, colaterais e sub-colaterais.

Olodumarê, em sua magnitude, deu ao ser humano a existência e a individualidade. Cada um tem em seu interior uma partícula divina. Por mais que pareça bom ou ruim possuí individualidade diferente.  Nada, coisa nenhuma sobre a Terra, é igual por mais parecido que seja. 

A Tradição de Ifá relata que, antes do nascimento do ser humano, são descerrados ante a sua presença os caminhos do destino (auom onam – àwon òná àyanmò). Elucida também que é diante do Criador Olodumarê e de Elêri Ipim – A Testemunha do Destino (Eléri Ìpín) que o ser humano, de joelhos (icunlé – ìkúnlè), escolhe o próprio destino (aiianmó iiiiê – àyanmò yíye). Esse dia é conhecido pelo nome de “celebração da escolha do destino” (aasa – aaxaiiam odú – ãsà – ãsàyàn o[1]).

Sabedor da inconstância do ser humano, Olódùmarè, nosso misericordioso Criador Excelso, fez com que o destino pudesse ser alterado. Sendo assim, os iniciados ou devotos de Orunmilá (Òrunmìlà) aceitam com a exceção do dia do nascimento, dos pais biológicos, do sexo entre outras particularidades a não permissão de alteração. Essa concepção é chamada de aiianmó (áyanmò), entretanto crêem que haja possibilidade de através de previsões e predestinação (cadará ou aiiantélê – kàdàrà e/ou àyàntélè) alterar a data da morte.  Esse conceito é chamado de “oportunidade de ajuda” (arincô – ojúrerê – àrinko – ojúrere[2]).

Essa presciência acontece pelo complexo, esmerado e exato processo de interpretação do Oráculo Sagrado de Ifá.  Esta previsão é o aspecto e superintendência das palavras de Orunmilá, que são reveladas aos seres humanos à prudência dele. Essas expressões são conhecidas como os 256 destinos sagrados, cada um deles possuindo diversas características, as quais reproduzem a situação atual.   

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  Olódùmarè  – O Criador

Òyígíyigì Òkúta Àìkú

Rocha Eterna Sobre As Àguas

Essência Primordial – Grande e Poderosa.

                                   Sem Pai                        e                          Sem Mãe 

O Auto-Nascido

O Criador também é chamado por quatro nomes principais:

Olodumarê (Olódùmarè) = O Ser-que-existe-por-si. O Senhor dos Destinos. O Auto-Existente. A lei universal individualizada. Manifestação espiritual e material de tudo que existe.

Olofím (Olófin) = O Legislador – Ligado diretamente aos seres humanos, ao Orí (cabeça) e às divindades. A causa e a razão de todas as coisas. 

Olórum (Olorùn) = O Dono do Universo – Energia identificada com as forças (elementais) da natureza. A força vital da existência. 

Alabaalaaxé Xaanum (Alábaaláàse Sãnú) = Aquele que põe e dispõe – O Misericordioso.

As três principais características de Olodumarê (Olódumarè) – Deus Supremo, segundo a Tradição Religiosa Nagô Ioruba.

1ª) – a Onipotência: poder soberano sobre todas as coisas;

2ª) – a Onipresença: poder de estar presente em todos os lugares.

3ª) – a Onisciência: poder de ter ciência de tudo.

Segundo os nagôs iorubas, Olodumarê (Olódùmarè) é: 

A inteligência suprema.

A origem de todas as coisas.

O eterno, imaterial, imutável, e soberanamente justo e bondoso. Alguns dos nomes pelos quais O Criador Excelso também é chamado pelos iorubas:

“Olùtùnu” – Aquele que analisa e acalma a dor.

“Olùdándè” – O Redentor – Aquele que resgata.

Oba Adákédájó” – O rei que sentado em seu trono, silenciosamente aplica a justiça.

E tantos outros nomes.

[1]  Outras vertentes do Culto a Orunmilá  chamam este cerimonial de acumléiian (Àkúnleyan).  

[2] Outras vertentes do Culto a Orunmilá  chamam este cerimonial de acumléguibá (Akúnlegba).

 

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