Enigma do Tabuleiro de Orunmilá

Contam os nagôs igbomina, em solo brasileiro, que Orunmilá, por ocasição de uma das suas vindas ao “aiê” (planta terra), hospedou-se em Òyó, terra do Rei Sàngó Olùfiran. Durante o período em que esteve hospedado no palácio do rei, Orunmilá cuidou da saúde de uma das esposas de Sàngó, que atendia pelo nome de Euàmiere. Durante o período em que esteve hospedado no palácio do rei, Orunmilá cuidou da saúde de umas das esposas do Rei Sàngó, que atendia pelo nome de Euamiere.

 Após seu restabelecimento, a princesa, em gratidão, se prontificou a cuidar e servir pessoalmente Òrunmìlà durante todo o tempo em que ele ficasse hospedado em Òyó. O período de permanência no palácio real foi o suficiente para que Òrunmìlà se apaixonasse por Èwàmièrè. A princesa, por sua vez, correspondeu plenamente o amor a ela dedicado, uma vez que era casada tão somente por interesses políticos. O interesse e a atração de Èwàmièrè por Òrunmìlà foram motivados pelo descaso que Sàngó dedicou a ela, após tê-la tomado por sua mulher de fato e direito na noite do casamento (igbéyáwó). 

Certa noite, aproveitando-se da ausência do rei, os dois fugiram em direção à cidade de Ilé Ifè. Ao tomar ciência do ocorrido, Sàngó tomado de cólera partiu ao encontro de ambos, prometendo fulminar Èwàmièrè com seus raios. Òrunmìlà, temeroso com o que pudesse acontecer a sua amada, transformou-a em uma belíssima bandeja entalhada e esculpida em madeira (Opón-Ifá). 

Ao chegar à cidade de Ilé Ifè (Terra do Amor), Sàngó adentrou a morada de Òrunmìlà, perguntando por Èwàmière. Este disse-lhe: ‘Procures por toda a casa se quiseres. Caso ela aqui esteja, cumpre com a tua palavra. Fulmina-a com teus raios! Caso não a encontres, sai daqui imediatamente’.  

Por vários dias, Sàngó vasculhou toda a cidade. Não houve um lugar sequer que ele não a procurasse. Por fim, cansado e desolado, mas não se dando por vencido, o alãfin de Òyó retornou à sua cidade jurando fulminar Èwàmièrè quando a encontrasse”. 

 

Esclarecimentos: Face a este mito, os discípulos de Òrunmìlà nunca deixam o Opón-Ifá descoberto ou ao ar livre, livrando-o desta forma da cólera do Ebora Sàngó.

 

Bibliográfica: PENNA, Antonio dos Santos – “Mérìndilogun Kawrí” – “Os Dezesseis Búzios” – Pagina 43 – Produção Independente – Ano 2009 – ISBN – 978-85-902226-4-4.

 

 

 

 

 

 


[1]   Narração dos tempos fabulosos ou heróicos, fábula, coisa inacreditável.

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