Narrativa da Interdição à Carne dos Suínos

Contam os nagôs igbominas que Àyirá, rei do Grupo dos Tápà, certa ocasião, quando voltava de uma contenda, viu-se defronte de uma calamidade. O oásis, ao qual se dirigiu juntamente com seus soldados, estava totalmente seco. Já tinham se passado vários dias do término da última provisão de água. Àyirá, desesperado, não sabia mais o que fazer face o pânico que começou a tomar conta dos seus guerreiros, uma vez que o próximo manancial ficava em posição contraria à direção do reino. 

O soberano não sabia explicar o que havia acontecido. Durante anos aquela trilha era considerada sagrada face o remanso ali existente. Temeroso com o que poderia acontecer, Àyirá resolveu deixar ali, no oásis ressequido, alguns dos animais que havia caçado e seguir viagem de volta para o seu reino, antes que fosse tarde demais. 

Os primeiros animais a serem desamarrados foram os suínos apreendidos durante a expedição. Tão logo os demais animais foram soltos, Àyirá observou que os porcos libertos começaram a fossar o fundo ressequido do oásis. A insistência dos suínos em cavarem naquele local aguçou a curiosidade do soberano, que ficou parado olhando para os porcos. 

Após alguns instantes, tal como um milagre, o local fossado pelos porcos começou a jorrar água. Àyirá, ao ver aquele acontecimento, aguardou os suínos beberem da água e ver se nada de mau lhes acontecia. Como nada de maléfico aconteceu, Àyirá juntamente com seus soldados puderam saciar a sede com a água que não parava de jorrar. 

Após terem se fartado e abastecido seus bornais de couro com água para continuarem a viagem, Àyirá pronunciou-se: “Há poucas horas estávamos propensos a morrermos por falta de água. Estes suínos libertos mataram nossa sede. A partir de hoje, animais desta espécie não serão abatidos em meu reino, tampouco da sua carne nos alimentaremos. Nenhum dos meus descendentes ou súditos se atreverá a desobedecer minhas ordens”. 

Bibliográfica: PENNA, Antonio dos Santos – “Èjì Ogbè  Àwon Àmúlù” – “Èjìonile e Suas Combinações” – Paginas 197 e 198 – Produção Independente – Ano 2003 – ISBN – 85-902226-2-4.

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