Àló Iyìn Ògún – Alàdá Méjì – Mito da Aclamação de Ogum – Dono De Duas Espadas

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ÀLÓ IYÌN ÒGÚN – ALÀDÁ MÉJÌ

MITO DA ACLAMAÇÃO DE ÒGÚN – DONO DE DUAS ESPADAS.

Contam os nagôs igbominas que, certa ocasião, o ancestral Oròminá[1], sentindo-se por demais cansados antes de seguir para uma batalha, decidiu consultar o oráculo de Ifá. Quando da consulta, foi lhe aconselhado que imolasse um galo em honra à sua cabeça (Orí) e que o sangue do animal, ao ser derramado, deveria escorrer sobre a lâmina do seu alfanje.   Aconselharam-lhe também que após a imolação se alimentasse do repasto sentado à frente da cabeça (orí), dos flancos das asas (apá) e das patas (sigù) do animal imolado. 

 Disseram-lhe também que, após o repasto, colocasse sobre sua própria cabeça as partes do animal sacrificado, envolvendo-a em seguida com um turbante (láwàní) de linho branco.  Dando continuidade aos ensinamentos, disseram-lhe que deveria se encaminhar até uma árvore de grande porte, levando consigo um inhame (iyán) assado e o alfanje consagrado. Determinaram-lhe também que, ao chegar ao local, deveria colocar aos pés da mesma o turbante que envolvera sua cabeça juntamente com as partes do animal imolado.  Em seguida, de pé em frente à imponente árvore deveria alimentar-se do inhame que havia levado. Após a realização do ritual, o oráculo revelou para Oròminá que o alfanje seria a chave de sua prosperidade, devendo carregá-lo para onde quer que fosse. 

Quando do retorno a sua moradia, Ògún sentindo-se sedento, decidiu apear e beber da água do rio que antecedia seu reino. Após saciar a sede, Oròminá percebeu que havia duas pessoas lutando por causa de um peixe que haviam pescado. Esse, ao presenciar aquela cena, aos dois homens se dirigiu, aconselhando-os a não dar continuidade àquela contenda. Disse-lhes que deveriam ir para casa e compartilharem o peixe. 

Eles recusaram. O primeiro homem dizia que tinha vindo do leste e o segundo, vindo do oeste.  Depois de ouvir as explicações de ambos, Oròminá, fazendo uso do seu alfanje partiu o peixe em duas partes. Em seguida, deu-as para assar e delas ali mesmo se alimentarem.  Os dois homens aceitaram. Após se alimentarem, ambos pediram a Oròminá que fizesse uso do seu alfanje para abrir um caminho que os levasse de volta para suas casas, prometendo ao mesmo, caso isso fizesse, enriquecerem sua vida. Assim Oròminá fez. 

Quando do término da abertura do caminho, para sua surpresa, Ògún defrontou-se com uma só localidade.  Era o reino de dois irmãos que haviam se desentendido em face de traição de falsos amigos e conselheiros.  O monarca e os leais súditos, ao reverem os dois irmãos, correram para dar-lhes as boas vindas. Após ouvirem dos mesmos toda o ocorrido, começaram a aclamar Oròminá proferindo “Ògún Oròminá, alàdá[2] méjì” (Ògún Oròminá, dono de duas espadas). 

Esclarecimentos: A narrativa acima elucida com esmero a origem dos epítetos “Ògún alàdá méjì” (Ògún dono de duas espadas) e “Ògún eja pínnimejí” (Ògún dividiu o peixe em duas partes) dados ao ancestral Ògún, consequentemente ao Odù Ògúndá Méjì. 

 

Bibliográfica: PENNA, Antonio dos Santos – “Mérìndilogun Kawrí” – “Os Dezesseis Búzios” – Paginas 175 e 176 – Produção Independente – Ano 2009 (Edição Revista e Ampliada) – ISBN 978-85-902226-4-4.

 

 


[1]   Nome pelo qual o ancestral Ògún é evocado em seu altar individual.

[2]   Forma abreviada de “alá” (prefixo de um verbo equivalente a “oní” [aquele que possui], acrescido da palavra “àdá” (espécie de espada curta com duas lâminas).     

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