Parábola Do Pequeno Sino Divinatório

Contam os nagôs iorubas em solo africano, e, em solo brasileiro que, num período longínquo, Orunmilá, ao visitar a cidade de Alo, resolveu comprar um elefante que estava à venda. Após a compra, um e outro se tornaram amigos. A partir dessa época, os dois passaram a fazer constantes passeios. Ambos executavam toda a sorte de trabalhos com o objetivo de obterem dinheiro, entretanto Orunmilá não era tão possante quanto o elefante, sendo assim, não conseguia resistir aos obstáculos.

Certa ocasião, ambos resolveram ir para a floresta. Durante três anos e três meses, os dois trabalharam arduamente na selva. Infelizmente, o dinheiro que Orunmilá ganhou com os serviços prestados era suficiente para comprar uma roupa de linho cru[1]. Retornando para casa, Orunmilá pediu ao elefante que segurasse sua roupa por alguns momentos. E o Elefante o fez. 

Quando Orunmilá retornou, a roupa havia desaparecido. O elefante negou veemente ter recebido as mesmas das mãos de Orunmilá.  O impasse se concretizou ao ponto de Orunmilá agredir o elefante. Esse, usando sua tromba, arremessou o amigo à distância. Algumas horas mais tarde, ambos fingindo estarem mais calmos, retomaram o caminho de volta para casa, sem pronunciarem uma só palavra.

Ao cruzarem uma encruzilhada, ambos se separaram. Orunmilá seguiu para a cidade de Ado e o elefante para Alo, cidade natal do seu antigo dono. A caminho de Ado, Orunmilá cruzou com um caçador de elefantes. Orunmilá , não se fazendo de rogado, disse para o caçador: ‘Eu sei onde podes achar um elefante e mata-lo’. ‘Mostre-me o caminho’ disse o caçador. Orunmilá sem titubear tomou juntamente com o caçador o caminho da cidade de Alo.

Durante o caminho, Orunmilá disse ao caçador: ‘Assim que o caçares e matá-lo, deverás abrir a barriga do mesmo. Ao abri-la, encontrarás uma roupa branca que me pertence’.   O caçador respondeu de imediato: ‘Se for verdade o que dizes, terás tua roupa de volta’. 

Horas mais tarde, o caçador encontrou o elefante e o matou. Quando a barriga do mesmo abriu, achou a roupa branca sobre a qual Orunmilá havia falado.  Imediatamente, agraciando Orunmilá pela caça, deu-lhe uma das presas do elefante, juntamente com a roupa branca que pertencia ao mesmo. Em virtude da hipocrisia do elefante, Orunmilá transformou a presa (dente incisivo) do mesmo que havia ganho de presente em uma sineta. 

Esse instrumento é usado até os dias atuais por seus sacerdotes, quando da evocação do mesmo para uma consulta oracular, lembrando-os de que não devem usar de falsidade para com os que os procurarem. 

Bibliográfica: PENNA, Antonio dos Santos – “Mérìndilogun Kawrí” – “Os Dezesseis Búzios” – Paginas 47 e 48 – Produção Independente – Ano 2009 – ISBN – 978-85-902226-4-4.  – Edição Revista e Ampliada. 

 


[1] – Tecido branco da época. Esclarecimento: Nos primórdios da humanidade, não havia alvejante, sendo assim, o tecido branco de outrora não era alvinitente como os atuais.

 

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