Em Um Lugar No Passado

Com as bênçãos de Olódùmarè, do meu Ori e de Obàtálá, bem como, de todos os orixás e ancestrais deificados ou não, estarei completando 52 anos de iniciado – Deus Seja Louvado! – Sim – 1961/2013 – Cinquenta e dois anos. 

Baseado em minha história, resolvi tecer um pequeno comentário em forma de desabafo: 

Quando me iniciei no Candomblé, não havia importação para o Brasil, dos mais diversos produtos africanos destinados ao culto aos orixás. Na Praça Tiradentes, atrás do Teatro Carlos Gomes existia uma loja de artigos religiosos. Talvez, naquela época, a única do ramo no RJ. O proprietário da mesma, se não me falha a memória chamava-se Fernando Spinola. Era um senhor bem forte (gordo) – Tinha o hábito de ficar sentado em um pilão. 

Naquela época, os mais conceituados sacerdotes (as) para lá se dirigiam na esperança de adquirir os produtos que o aludido senhor vendia. Obí de quatro gomos, pena do Odide, atarê e tantas outras coisas para a liturgia não havia chegado ainda ao Brasil. 

Esclareço, que, as primeiras penas da cauda do papagaio da costa começaram a chegar pelos idos de 1960 através de uma ilustre e conceituada dama da alta sociedade. Hoje, uma das mais conceituada Ialorixá do Brasil. – Usava-se pena do papagaio brasileiro ao invés do “odidé”, anil ao invés de “waji”, urucum em lugar de “osun”, pemba branca ao invés de “efun”, grãos de pimenta branca ao invés de “lelekun”, e tantas outras adaptações. Palha da costa – Não – Usava-se palha de buriti. Raríssimos foram os iniciados (as) que colocaram em suas testa a “célebre pena da cauda do papagaio da costa” – Pena de Agbe, aluko, lekeleke …? , tá brincando…… Dessas, muitos nunca haviam ouvido falar. 

Sim – Não havia – Entretanto, os poucos sacerdotes (as) daquela época que ainda vivem estão sendo crucifixados nos dias atuais, pelos “Teólogos do Resgate da Tradição Africana dos Orixás” – Usar cebola, maça, partir “obi” de dois gomos em quatro, enfim, seja lá o que for ou que tenha sido feito no passado para manter acessa a chama da Tradição dos Orixás é visto atualmente por “várias pessoas” como prática de um bando de idiotas e incompetentes. 

Permita-me lembra-los senhores “Teólogos do Resgate” que muitos desses que hoje “vocês” chamam de idiotas, de incompetentes, e, ainda por cima satirizam, são seus ancestrais, isto, pai, mãe ou avô (a) de santo. Aplausos!!! Continuem assim. 

                                                 Àdìfá Oba Aláàiyé Fámãkindé Otuoko –  Ase Oba Ìgbó                  


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